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Correspondente de guerra

Posted by petlenep em junho 6, 2005

Tá, vamos por partes. Primeiro, começaram minhas aulas e o clima não tá de bigode. Tradução: eu tenho andado sobrecarregado, minha vida tranqüila acabou. Eu tinha o hábito de freqüentar outros blogs, deixar comentários, mas isso tem se tornado difícil ultimamente. Momento para compreensão.

Na última rabiscada eu fiz uma crítica ao sistema de saúde pública. Sobre isso o nobre poeta Contreiras, que me dá a honra de fazer visitas regulares ao Diário OnLine me escreveu: “Simples acontecimentos do nosso cotidiano…”

Sexta-feira passada estava eu no ônibus 383 (Realengo-Pç Tiradentes, Rio de Janeiro). Aproximava-me do bairro da Mangueira, saindo da Avenida Marechal Rondon. Quando olho pela janela, vejo uma kombi sendo seguida por uma, duas, na verdade, quatro viaturas da polícia militar. Os carros oficiais vinham com a sirene ligada e com os policiais expondo metade do corpo para fora do veículo com armas apontadas para a referida kombi. Como a kombi se recusou a parar após o sinal das sirenes dos carros, os policiais entenderam que o melhor jeito de resolver a situação seria despejar munição nos fugitivos. Eu só pude ver o primeiro vidro da kombi estourando. Imediatamente após isso eu me abaixei no chão do transporte coletivo e o que soube sobre o depois é relato dos outros passageiros e do que eu assiti no programa do Wagnar Montes.

Após alguns tiros, o motorista da kombi perdeu a direção do veículo e o mesmo capotou no viaduto que faria o retorno para entrar em direção à Mangueira. Um cidadão foi preso e outro hospitalizado com um tiro de fuzil, repito, de fuzil na perna. Os elementos haviam roubado objetos de uso clínico, tal como uma cadeira de rodas, estetoscópio e pequena balança. Aí quer dizer, eu crio um blog pra falar sobre a experiência que é fazer uma faculdade de Engenharia, sobre sair da casa dos pais e ir morar em república de estudantes, mas de repente me vejo na situação de me transformar em correspondente de guerra no meu blog. Quer outro exemplo? (Necessita rápido cadastro).


Talvez quem esteja certo seja o jovem baiano Contreiras, quando me diz: Simples acontecimentos do nosso cotidiano…. Mas eu me recuso a aceitar passivamente esses acontecimentos simples do cotidiano. Isso não pode virar cotidiano, porra! No mesmo dia em que eu me vi dentro de um filme de Bruce Willis ou Mel Gibson houve na mesma cidade uma tentativa de seqüestro com o cantor Lulu Santos (role a página do link para baixo).

Eu tenho um primo da minha idade que é policial. Tem que passar todo dia por essa guerra idiota, criada pela incompetência e interesses políticos, que expõem a população às mais terríveis condições de vida. Ao mesmo tempo em que vivo na cidade mais linda do mundo, moro num lugar em que morre mais gente baleada do que no Iraque. Eu gostaria de falar aqui do jogo da seleção, do ibope da novela América, escrever poesias sobre o amor, mas não posso ignorar essa tragédia urbana que assola o lugar de onde venho.

Desculpem-me o desabafo.

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