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Fênix

Posted by petlenep em março 1, 2005

De um modo geral, não costumo fazer do meu blog um cantinho para choradeira. O que eu mais vejo pela rede são blogs do tipo: “fLwS, gAlErA, hOjE tOu TãO tRiStI”, ou do tipo “oi, miguinhux. tou deprê. naum queru ir pra rua, naum queru saí. snif”. Enfim, respeito todo mundo, cada um na sua, mas não pretendo fazer desse meu hobby um Muro das Lamentações. A vida é complicada e ficar só reclamando não me ajuda em nada.

Começo dizendo isso porque, se eu tivesse escrito esta rabiscada ontem, tudo o que eu teria feito seria mesmo reclamar da vida, da humanidade, das injustiças, da taxa de poluição do ar e de quem mais aparecesse na minha frente. Ontem eu ‘tava de cabeça quente. Não à toa, tinha lá meus motivos e tenho em mente o nome de todos meus motivos. Mas o fato é que eu acabei ficando bolado e, quem não tinha nada a ver com isso e se aproximava de mim, acabava percebendo isso.

Todos os dias saio da faculdade às 18h. Pois justamente ontem, por volta de 15:15h, meu camarada Victor (que sempre assina aqui no blog como SPCinho), me fez a pergunta que salvou meu dia: “Tô indo embora agora. Qué carona ou vai ficar aí?” Respondi: “Bom, deixe’u pensar. Mmmm… Já pensei, vambora!”. Fomos. (Eu escondido da minha orientadora). Tudo o que eu pensava e queria no caminho pra casa era: “Vou chegar em casa e dormir. Acordo mais tarde, janto, vejo o Big Brother e volto a dormir. Pronto! Acabo com o dia, antes que ele acabe comigo.” Tudo muito bom, tudo muito bem, mas até aqui eu ainda não expliquei o porquê do título da rabiscada.

É que no caminho pra casa, SPC me larga a letra: “Vou pra praia.” Porra, aí mexeu nos meus brios. Eu tô ralando que nem um corno em Rio das Ostras (cidade conhecida pelas praias) desde agosto do ano passado e o máximo que eu havia chegado da praia era caminhar à noitinha na areia. Saio de casa às 7h, chego perto das 19h, enfim, nunca estava liberado num horário bom para um banho de mar. Nunca, que eu digo, era até ontem, quando resolvi transgredir os horários e redescobrir que eu ainda estava vivo.

Peguei uma bermuda emprestada com SPC e lá fomos nós pra praia. Chegamos, pedimos pra umas donas olharem nossas blusas e chinelos na areia e TCHBUM!. Tal qual a ave que ressurge das cinzas, abraçar o mar e me despojar em suas águas foi um sopro de vida, um choque para um coração arrítmico. Enquanto fazia minhas braçadas mal-dadas, repensava cada momento do dia em que a paciência me escorria por entre os dedos, como pequenas bolinhas de gude. Pude sentir naquela hora os problemas se diluindo na água, uma energia positiva impregnando minha existência e a certeza de que ali eu me realinhava em sintonia com o universo. A todo momento me vinha a cabeça o refrão da música do Cidade Negra: “Perto de Deus! Perto de Deus!”

Depois do banho, uma caminhada na areia com parada estratégica nas barras de exercícios da praia. Só pra me enganar, é claro, porque disposição pra marombar eu não tinha mesmo. Fechando a fuga da realidade que me sufocava, um copão de 500 mL de açaí, lá no boiola antipático do Shopping de Rio das Ostras. Nada contra os gays, mas é que o camarada além de ser uma biba, tá sempre com a cara amarrada. Vai nadar que melhora, pô!

Tô querendo voltar à praia amanhã, quarta-feira. Talvez depois das 18h, pois não posso aloprar a faculdade todos os dias, mas quero refazer todo o percurso: nadar, barras e açaí. Gostei da sensação de que minha vida não se encerrava em frente a um computador, num prédio de ar-condionado central, onde nunca vemos a luz do sol.

E até agora, a música ainda não saiu das idéias. Estou repetindo mentalmente: “Perto de Deus! Perto de Deus!”

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